sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

CARDEAL DOM ODILO FALA DA SUA SAÍDA DO IOR:

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O Arcebispo de São Paulo, Cardeal Odilo Scherer, conversou com a Rádio Vaticana sobre a sua saída da Comissão que supervisiona o Instituto para as Obras de Religião, IOR, conhecido popularmente como o Banco do Vaticano. A saída de Dom Odilo dessa Comissão deu margem para comentários na imprensa brasileira.
Rádio Vaticava: Dom Odilo, nesses dias o monsenhor foi manchete nos jornais do no Brasil, devido sua saída de uma comissão do IOR. Que comissão o senhor saiu? Por que a sua saída? E por que esses títulos nos jornais brasileiros?
Dom Odilo: Essa comissão de cardeais é composta de cinco cardeais, tendo à frente deles o Secretário de Estado e outros três cardeais de várias partes do mundo e mais um ou outro cardeal que está em Roma. Eles têm algumas competências específicas sobre o acompanhamento do IOR, mas não tem competências administrativas diretamente e não trabalham lá. Eu estou em São Paulo, não estou em Roma acompanhando o IOR. Então essa comissão cardinalícia de vigilância tem alguma competência muito específica, mas não competência de gestão, e a habilitação de mexer com patrimônio, nos fundos do IOR. Isso compete à diretoria e ao conselho de superintendência, em que tem um presidente. Depois, digamos assim, o afastamento da comissão: O papa Francisco mudou a comissão, como é do direto dele fazer e é claro que entrando um novo Papa, ele escolhe um novo Secretário de Estado e o novo Secretário de Estado e que está à frente dessa nova comissão de vigilância. E ele tem poderes de mudar esta comissão. Ficando apenas um da antiga comissão. Isso é absolutamente normal, quando troca o Papa, assim como troca um presidente, troca a equipe de trabalho. Eu fiquei vários anos e foi uma experiência interessante. Eu agradeço esse tempo em que passei lá. Mas agradeço também que o Papa me aliviou de uma parte do trabalho porque ainda tenho uma porção de outras incumbências que me obrigam a sair para várias reuniões em Roma ao longo do Ano.
Rádio Vaticava: O senhor ainda é o segundo cardeal com mais cargos na Santa Sé. Quer dizer essa representatividade, inclusive em comissões. E uma dessas comissões é a dos estudos dos problemas organizativos e econômicos da Santa Sé, que é uma das comissões mais importantes que nós temos no Vaticano?
Dom Odilo: É verdade. São quinze cardeais que acompanham as questões administrativas e econômicas. Comparado com uma diocese, podemos dizer que esse é o conselho administrativo da Santa Sé. E essa comissão, esse conselho se reúne pelos menos duas vezes por ano. Examina o andamento da gestão do patrimônio e da gestão dos recursos; do balanço, do orçamento, e a gente faz parte dessa comissão que é a maior comissão de acompanhamento das questões administrativas. É apenas um conselho. Nós não temos pessoalmente nenhum envolvimento na administração. Somos um conselho que tem vários cardeais do mundo todo, e também é o cardeal, Secretário de Estado, que está à frente desse conselho. E o próprio Papa, antes o Papa Bento XVI e agora o Papa Francisco, participam em parte dessa reunião. E uma reunião é muito importante que se avaliam, examinam, questionam, fazem observações e dão indicações sobre as várias questões do patrimônio e do dinheiro necessário para o serviço da Santa Sé.
Rádio Vaticava: Por que se coloca em evidência então o simples fato do monsenhor sair de uma comissão, como se o Papa tivesse, inclusive, perdendo a confiança no senhor, nos cardeais, vamos dizer assim? Isso é uma apelação?
Dom Odilo: Naturalmente são interpretações que foram dadas, e naturalmente eu fiquei também sentido com isso. Por quê, não? Mas a gente entende que há muitas formas de interpretação, que requer, portanto, senso crítico para que não aceite e se demande logo como verdade àquilo que é levantado, como uma suposição e boato. O fato do Papa ter trocado a comissão de vigilância do IOR é um fato normal de administração, que certamente haverá mais mudanças lá no IOR, porque é preciso rever práticas do IOR, que aliás já estavam em andamento. Nós acompanhamos várias mudanças e o Papa Bento XVI já estava muito atento, tinha dado indicações muito específicas sobre a questão da transparências, da honestidade do manuseio dos fundos depositados e colocado em confiança ao IOR. Agora que se deem intepretações, nesse momento, eu acho que é devido ao fato da questão do IOR ter sido colocado na opinião público como sendo a questão mais importante a ser resolvida pelo Papa. O que é uma grande inverdade. E o Papa Francisco está com os olhos abertos em muitas outras coisas mais importantes do que o IOR. Evidentemente que não pode deixar de cuidar do IOR mas, às vezes, se dar uma importância exagerada ao IOR e se esquece que a Igreja não se resume, simplesmente, em administração do patrimônio. Os próprios fundos do patrimônio estão a serviço do Igreja. E o Papa está olhando para a missão, querendo que a Igreja se coloque a caminho. A sua encíclica Evangelium Gaudium, inclusive, explica que ele quer uma Igreja em saída. Uma Igreja que se coloque a caminho e em missão. E, portanto, que não se percam as energias em discursões, enfim, em questões que não deveriam merecer tanta atenção. E se dedicar muito mais àquilo que é prioritário na missão da Igreja. E suposto, eu não quero dizer que a gestão não deva ser muito bem acompanhada. Deve ser muito bem acompanhada sim, para que não aconteça desonestidade e, de alguma forma, alguma infiltração de interesses também menos claro também na gestão do patrimônio da Santa Sé ou do dinheiro confiados por pessoas que depositam os seus valores no IOR, para que eles sigam a sua finalidade, que é servir à missão da Igreja.       
Rádio Vaticava: Como o monsenhor ver até esse momento essas mudanças, que eu não sei como chegam ao Brasil, inclusive para os nossos fiéis em todo o Brasil. Essas mudanças que estão ocorrendo aqui na Cúria Romana e também essa vontade que o monsenhor recordou, mais uma vez, de que a Igreja saia e vá ao encontro às pessoas?
Dom Odilo: Eu acredito que é de maneira muito filtrada. A nossa opinião pública recebe as coisas, muitas vezes, através de segunda, terceira ou quarta mão das agências de notícias e de comentários que já se fazem na Europa ou em várias agências de notícias dos grandes meios de imprensa da Europa ou dos Estados Unidos da América. E a nossa imprensa repercute, portanto, essas análises e avaliações de segunda ou terceira mão. Por isso é recomendável que o nosso povo, se querem estar bem informados sobre a Igreja, acompanhem os meios de informação da própria Igreja e que possam receber as informações de primeira mão. Leiam as coisas sobre a Igreja; escutem a Rádio Vaticana; ouça e acompanham as rádios e tvs da Igreja ligados à Igreja, que transmitem muitas coisas de primeira mão. Nossa internet, hoje, liga diretamente com o Papa: a missa com o Papa de manhã na Casa Santa Marta é transmitida diretamente; a palavra do Papa na audiência de quarta-feira; a missa do Domingo e da mensagem do Papa do Ângelus. Então há muitas possibilidades de se informamos bem e não beber simplesmente notícias já filtradas, reinterpretadas que não sabemos exatamente onde estar a verdade.
Rádio Vaticava: Dom Odilo, uma última pergunta relacionada à festa que nós teremos em São Paulo. O que o monsenhor tem a nos dizer sobre isso e as preparações?
Dom Odilo: Sim, nós celebramos a festa de conversão de São Paulo apóstolo no dia 25 de janeiro, que tem uma especial importância. Primeiramente, a cidade de São Paulo comemora o seu aniversário e portanto é feriado. E neste ano a cidade comemora 460 anos de sua fundação. E para a Arquidiocese é o Dia do nosso Patrono São Paulo Apóstolo. E graças a Deus que São Paulo é o nosso patrono, pois ele que deu nome à cidade e deu nome também à Arquidiocese. E nós procuramos aprender muito sobre São Paulo e como ser discípulo missionários nesse tempo; como fazer repercutir na cidade o evangelho de Cristo. Então nós estamos em um tríduo de preparação. E na cidade haverá muitas iniciativas culturais, espetáculos e festas, que o município está promovendo para comemorar os 460 anos. Temos também o bem aventurado Padre José de Anchieta, assim como outros jesuítas, Manoel de Nobrega e etc., como os fundadores da cidade. Na verdade, a cidade de São Paulo começou em torno da missão dos jesuítas. E nós estamos também na expectativa que o padre Jose de Anchieta possa ser canonizado, proclamado Santo.

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