quarta-feira, 12 de abril de 2023

- ARTIGO DO PADRE MARCELO CAMPOS DA SILVA D’IPPOLITO:


 *Igreja Católica Apostólica Romana e Igreja Católica Brasileira: diferenças e semelhanças.*


Para início de conversa quero ressaltar que sou a favor do ecumenismo e de uma teologia que parte do diálogo e nunca de imposições. Sabemos que tanto na ICAR como na ICAB há pessoas que se respeitam e zelam por um diálogo respeitoso. Infelizmente, também existem em ambas instituições "cabeças fechadas", até digo, gente sem conteúdo que se apega no “poder” para julgar e condenar os outros. 


A Igreja Católica Apostólica Brasileira, conhecida como ICAB, tem como fundador D. Carlos Duarte Costa. Este nasceu aos 21 de julho de 1888 no Rio de Janeiro e recebeu a ordenação sacerdotal a 1º de abril de 1911. Aos 4 de julho de 1924 foi nomeado bispo de Botucatu (SP). Foi afastado de sua diocese e nomeado bispo titular de Maura (na Mauritânia, África Ocidental); posteriormente fixou residência no Rio de Janeiro.


D. Carlos foi desligado da Igreja Romana aos 6 de julho de 1945; neste mesmo dia fundou a Igreja Católica Apostólica Brasileira.


D. Carlos promoveu direta ou indiretamente a ordenação de numerosos bispos e presbíteros. Seus clérigos podem ser celibatários ou casados. Na ICAR no ocidente os clérigos são celibatários. Os clérigos que podem ser casados são os diáconos permanentes! 


O que rege a ICAB é o Concílio Nacional e o Conselho Episcopal que podemos dizer que é um colegiado de bispos da ICAB.


Enquanto que na Igreja Católica Apostólica Romana, a liderança máxima é do Bispo de Roma, ou seja, o Papa, hoje o querido Papa Francisco. 


O prelado veio a falecer aos 26 de março de 1961; dom Carlos foi um homem para o seu tempo: polêmico e através do seu jornal “LUTA”, manifestava suas opiniões que agradava a uns e desagradava a outros. 


O Concílio Nacional da ICAB, aos 6 de julho de 1970, o tornou Santo: São Carlos do Brasil! 


A temática existente de que os clérigos da ICAB se passam por romanos,  não me convence!  A maior parte dos fiéis da Igreja Católica Apostólica Romana (salvo os que carecem de mínima formação e algum discernimento) ao entrar num templo da ICAB logo vão ver que não se trata de um templo da ICAR. E muitos que vão à procura dos sacramentos na ICAB, vão de forma livre e, até digo, se fossem católicos romanos de verdade não iriam no "redil alheio". 


A liturgia é completamente diferente, eles tem seus livros próprios e quanto às vestimentas, são da tradição católica, também utilizados pelos Anglicanos, Luteranos, Ortodoxos e até mesmo por alguns presbiterianos e metodistas, que utilizam túnicas, estolas e camisa clerical. 


Precisamos encontrar caminhos de diálogo e respeito com as opções de fé e adesão às instituições religiosas diversas existentes em nosso país. É lamentável vermos padres e bispos de ambas instituições criando acusações infundadas e discórdias! 


Há espaço suficiente para todos! Não podemos utilizar o “poder”, para perseguir e oprimir quem quer que seja… Vivemos num país democrático e não temos uma religião ou Igreja oficial. É do conhecimento de todos que a intolerância religiosa é crime previsto no código penal brasileiro. 


O grande Concílio Vaticano II veio abrir a Igreja para o diálogo fraterno e solidário entre os cristãos e não cristãos. O que deve prevalecer é o amor de Deus e seu Reino, como diz Jesus aos seus discípulos: “Portanto, quem não é contra nós, está a nosso favor.” (Mc 9,40) 


O que devemos fazer é investir em formação dos nossos fiéis para que conheçam nossa Igreja e saibam viver sua fé na obediência e aceitação da nossa doutrina e regras. Repito: os que vão à procura da ICAB ou outras denominações cristãs vão de livre iniciativa, sabendo que não estão na ICAR.


Que o sonho de um mundo de paz, diálogo, justiça e solidariedade seja a meta impulsionadora de todas as Igrejas e religiões não cristãs, porque tal sonho já o é daqueles que professam a fé cristã!


Concluo com a célebre frase do hoje São João XXIII: “Deixemos de lado o que nos desune e busquemos o que nos une”.


Sejamos, portanto, sinais de comunhão e que a Virgem Imaculada Conceição nossa Mãe e da Igreja nos fortaleça na missão do Reino do Seu Filho Amado. 


*Pe. Marcelo Campos da Silva D’ippolito*

Pároco da paróquia Nossa Senhora da Conceição - Rio das Ostras/ RJ

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