*A nossa revolta Playboy, você não entende!*
O título deste artigo está escrito no muro de uma casa no bairro Nova Aliança, na cidade de Rio das Ostras, no caminho para a Comunidade de Santa Rita, pertencente à nossa Paróquia.
Ao me deparar com essa frase me veio logo o desejo de escrever algumas linhas refletindo a profundidade e o alcance social inesgotável da mesma.
A sociedade é vítima dela mesma quando promove suas injustiças sociais gerando revoltas e violências de todos os níveis. É de suma importância que saibamos fazer um "mea culpa" diante desse quadro social que a frase nos provoca. Somos todos nós, de forma direta ou indireta, responsáveis pelo desequilíbrio social que nega a oportunidade de vida plena para o ser humano.
Sabemos que a vida num mundo capitalista e materialista favorece àqueles que tem o poder econômico em suas mãos. Esse sistema gera uma sociedade piramidal que nega a uma parte considerável da população o direito de sonhar e conquistar novos caminhos. Como seria bom que a ganância humana fosse vencida pela partilha gerando uma nova sociedade...
Lamentavelmente, temos o que hoje chamamos de aporofobia: pessoas que tem ojeriza e/ou antipatia aos pobres. Essa ferida social cria cada vez mais uma distância entre as pessoas gerando o racismo, a intolerância, a falta de empatia ao colocar sempre em risco a convivência entre ricos e pobres.
A insensibilidade social é um dos grandes males que vem crescendo em proporções avassaladoras, fazendo com que o ser humano não consiga enxergar os que não fazem parte do seu nível social. Aí está o não compreender a revolta daqueles que tem seus direitos sociais negados por uma sociedade que cada dia mais se distancia da sua verdadeira vocação que é ser humana.
Precisamos reencontrar o caminho para refazermos o nosso percurso social que está gerando todo esse caos.
O ser humano é por excelência um ser político e religioso. A política deveria utilizar seus mecanismos para gerar oportunidades aos menos favorecidos, o que infelizmente sabemos que nem sempre essa realidade é assegurada. Por outro lado a religião tem seu papel humanizador e espiritual na busca de uma harmonia do ser humano.
Sentir a dor do outro deve ser a vivência cristã que se compadece da vida como o nosso Mestre e Senhor o fez quando esteve entre nós. Deixemos Deus nos humanizar!
*Padre Marcelo Campos da Silva D’ippolito*
Pároco da paróquia Nossa Senhora da Conceição - Rio das Ostras/RJ

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